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Seminário Teológico
Betel Brasileiro

Maneja bem a palavra da verdade - 2 Tm 2:15

Falácia Exegética (Rafael Ribeiro)

19 MAR 2018
19 de Março de 2018


       Falácia exegética, o que é isso? Antes de responder a essa pergunta, é bom salientar a importância das disciplinas Exegese e Hermenêutica para o bom entendimento do texto bíblico inspirado. Todo pregador que tenha passado por uma academia teológica séria e tenha concluído com êxito o curso completo de teologia, certamente, deverá ter estudado os idiomas originais, hebraico e grego e as disciplinas de interpretação citadas acima. Falando de nossa experiência pessoal na área acadêmico teológica, temos servido ao Senhor por mais de trinta anos e, vale verificar, que não basta frequentar um bom seminário e ter bons professores, pois, o mais importante na formação acadêmica é o empenho do discente. Ainda que os professores envidem todo esforço e maestria no ensinar, se o aluno não se esforçar em aprender, passará pela academia sem grande proveito.

Há muitos alunos, que entram no seminário achando que já sabem tudo e, estão ali apenas pelo diploma; então, entram enfatuados e saem inchados. Aquele que entra humilde, buscando realmente o saber e se esforça por fazer um bom proveito do curso, saírá ainda mais humilde, vendo que mergulhou num mar de conhecimentos inesgotáveis e, dedicará o resto de sua vida a singrar as águas do conhecimento mantendo em dia suas leituras e aprofundando o conhecimento; à medida que põe em prática aquilo que aprendeu. Aquele que se apoderou do conhecimento fundamental das disciplinas diversas que lhe foram apresentadas e delas se abeberou sabe, que uma feitura exegética requer conhecimento profundo e prático de Hermenêutica, Teologia, História, Línguas Originais, Homilética, etc. Tal indivíduo não será leviano o bastante para intimidar seus ouvintes com a frase: “como está na língua original”, pois, quando ele fizer isso será com propriedade e firmeza, tendo em mão o texto em língua original, havendo exaurido todas as possibilidades lexicográficas, conhecendo de forma ampla sua semiologia e polissemia, bem como o uso que determinado autor costuma fazer desse ou daquele vocábulo. Mas, aquele preguiçoso, que passou pela academia se arrastando, só por que tem um título de teologia poderá dizer a mesma frase; como que para causar algum efeito, ou encerrar uma discussão teológica com um leigo da igreja. Nós dizemos que isso é uma iniquidade e uma violência, pois, o irmão leigo não tem como verificar a exatidão do que ele fala. Então o que é falácia exegética? Diríamos que é o uso indevido e pedante do conhecimento acadêmico sem o sentimento piedoso de verdadeiramente ensinar, mas, apenas de convencer o ignorante de que seu discurso está solidificado em sólidas bases. Não é impróprio citar as línguas originais, os compêndios teológicos e outros recursos que o orador/pregador verdadeiramente possua, mas, devemos temer dizer: como está na língua original, se de fato não dominamos essa área, ou se não nos assentamos sobre o texto em língua original, munido de um bom léxico de forma exaustiva e demorada; também devemos ter o cuidado de não usarmos tal expressão baseada em livros e pregadores da mídia, eles também cometem erros. Nunca ouse usar tal recurso se não tiver verificado você mesmo in locu.

Não seja um falacioso, seja um exegeta, reja-se pela humildade e nunca faça uma afirmação de forma leviana ou vazia de piedade, nunca use o conhecimento como vitrine pessoal, mas, use-o como equipamento, sujeitando-se ao bom senso e a iluminação do Espírito. A igreja respeita mais um leigo piedoso do que um doutor arrogante. Parafraseando Lutero: “Falarei aos homens, mais cultos, mas também falarei ao mais simples campônio”. Todos devem nos entender, não somente os instruídos.


Pr. Prof. Rafael Ribeiro

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